Capítulo 03: A Casa Nova



Acordei assustado e suado, meus cabelos estavam encharcados de suor e por um momento meus olhos não quiseram abrir, não sei o porque, eles travaram e de repente se abriram sozinhos. Infelizmente pela segunda vez tive aquele pesadelo macabro, no qual eu estava sozinho, minha casa estava toda destruída, marcas de sangue pelo chão, e por último, encontrei minha mãe morta, com uma faca cravada em sua testa no banheiro do seu quarto. Isso é algo horrível de se ver, ainda mais por um filho. Mesmo tendo dormido por quase três horas no banco de carro, que por sinal é muito desconfortável, eu ainda estava com muito sono, parecia que estava várias noites sem dormir, o que era estranho, afinal eu dormi super bem esses dias, e ainda acordei tarde. Passou pela minha cabeça que talvez, o pesadelo estivesse sugando minhas forças vitais, loucura né? Mas nessa altura já estava levando em consideração, qualquer coisa fora do comum. Tínhamos acabado de chegar na nossa nova casa, era umas seis horas da noite, nunca tinha visto a casa nem por dentro e nem por fora, a única coisa que sabia, era que a casa tinha três quartos, sala de estar, sala de jantar, um banheiro, um enorme quintal e que era muito linda, pelo menos assim dizia minha mãe. 
— Então? Dormiu bem? – Indagou.

Após, abriu a porta, saiu do carro e fechou a porta com força, abriu a porta malas, pegou umas três bolsas, e se dirigiu a até porta da frente.

— Sim! – Gritei, afinal ela já estava longe de mim.

Quem pergunta uma coisa e logo some de vista? Saí do carro e pude ver a casa melhor, e eu estava super certo, ela era muito feia, não pense que estou dizendo isso por pirraça e por que não queria vir para cá, mas por que ela era realmente muito feia. Horrível, assim descreve melhor.

— Não gostei dessa casa! Será que não podemos voltar? – Perguntei esperançoso.

— Já disse que não! Entre e arrume suas coisas! – Disse ela terminando de dar a volta na chave e entrando em casa, sem me esperar bateu a porta.

Saí do carro, bati a porta devagar, fui até a parte traseira, levantei o porta malas que estava destrancado, peguei minha mochila azul, e três caixas pequenas que estavam empilhadas uma em cima da outra. Bati a porta, corri até a porta da casa e abri. Ao entrar no hall principal, vi um lindo candelabro de cristal no teto, mesmo estando de dia e ele desligado, pude perceber como era lindo e majestoso, fiquei alguns segundos imaginado ele ligado. Ainda no cômodo havia quadros enormes, alguns eram obras próprias do antigo morador, e outros eram cópias de pintores famosos como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Donatello e muitos outros. Eu sempre fui fascinado por arte, deve ser por isso que eu sempre mandava bem na aula de artes, não gosto de me gabar, mas sempre fui o melhor da turma na matéria, digno de um Collings, afinal pelo o que minha mãe me contava, meu pai foi um pintor extraordinário, pintava de tudo um pouco, ia de realismo a surrealismo. Tínhamos alguns quadros dele, mas em uma venda de garagem que fizemos, eles foram vendidos por engano, tentamos de tudo para recuperar, mas não quiseram devolver. Como não o conheci, seus quadros eram a única coisa que eu podia estar perto dele, mesmo sem nunca ter visto uma foto. Sem eu perceber minha mãe se aproximou e me sustou.

— O que foi James? Algum problema? – Perguntou ela preocupada.

— Nada demais! Esses quadros me fazem, lembrar do papai, ele pintava tão bem. Adorava ficar admirando suas obras. – Disse com algumas lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

Minha mãe secou meu rosto carinhosamente, com um lenço que ela tinha no bolso da calça e disse:

— Eu também sinto muita saudade dele, era um homem incrível, era divertido, animado, carinhoso, amoroso, amigo e principalmente um bom pai. – Disse minha mãe com os olhos cheios de lágrimas.

— Então onde fica o meu quarto? – Perguntei tentando mudar de assunto. –– Tomara que seja grande. – Pensei.

— Venha! – Disse ela, sorriu e me puxou até as escadas. –– É o primeiro quarto do corredor, a chave está na porta.

— Ok! Já volto. – Subi as escadas rapidamente, cheguei no segundo andar, empurrei a porta do meu quarto e entrei.

O quarto estava imundo, havia marcas de mofo nas paredes, rabiscos de tinta e lápis, marcas de dedos, cortinas rasgadas no chão e o ventilador de teto só tinha uma hélice. O quarto estava com um cheiro horrível, pareci que alguém tinha comido um gamba, dois porcos mortos e vomitado no quarto todo. Quase vomitei três vezes. Sai do quarto, bati a porta com força e tranquei. Desci as escadas correndo, tropecei nos degraus finais, as caixas que segurava, quase caíram. Gritei o nome da minha mãe, ela respondeu, estava na cozinha, fui até lá.

—Que gritaria é essa? – Indagou minha mãe assustada.

— Calma! Tem um motivo. – Respondi. — O quarto que a senhora me deu, é nojento, as paredes estão todas rabiscadas e com mofo, tem entulhos por todo lado e para finalizar com chave de ouro, tem um cheiro horrível, parece que alguma coisa morreu lá dentro.
Que pessoa limpa e direita gostaria de ter um quarto daquele, era de dar nojo. É claro que eu poderia limpar e arrumar, mas, eu não aguentaria entrar lá de novo, era muito repugnante.

— Então venha, te darei outro quarto. – Disse minha mãe, ela pegou na minha mão, e subimos juntos.
Passamos o quarto nojento, e mais um quarto que deduzi que seja da minha mãe. No final do corredor havia um quarto com um 91 na porta, minha mãe pegou uma chave no molho e abriu. Entrei primeiro e comecei a reparar no quarto. Era do mesmo tamanho do anterior, havia um candelabro igual à do hall principal, só que menor. As paredes eram de um tom de azul claro, e as cortinas eram verdes. Estava limpo e livre de qualquer odor ruim. Mesmo estando vazio, ainda era melhor que os meus outros quartos juntos. Adorei ele!

— Gostou? – Perguntou. — Tome a chave. – Disse ela retirando a chave do molho e me entregando.

Peguei a outra chave e a entreguei.

— Muito! Obrigado mãe, te amo! – Agradeci sorrindo.

—Também te amo! – Disse ela.

Jogou um beijo para mim e saiu do quarto. Pude ouvir seus passos calmos ao descer a escada.

Assim que fiquei sozinho, tirei a mochila das costas e coloquei junto com as caixas no chão. Peguei meu celular, estava sem sinal nenhum, guardei ele na mochila e peguei algumas roupas na mesma, fui tomar um banho. O banheiro ficava em frente ao quarto a minha mãe. Fiquei de baixo do chuveiro por longos minutos, a água quente estava me relaxando, quase peguei no sono ali mesmo. Desliguei o chuveiro, sai do box, me sequei. Coloquei uma camiseta azul que estava escrito "God's not dead", uma bermuda marrom clara e minhas sandálias azuis. Penteei o cabelo com calma. Sai do banheiro, desliguei a luz e me dirigi ao meu quarto. Ao chegar lá, tirei da mochila alguns cobertores, forrei no chão, em uma das caixas peguei o cristal. Fiquei admirando ele por muitos minutos, até que peguei no sono. Dormi por muito tempo, acho que ouvir alguém me chamar, mas não consegui levantar, parecia que eu estava em coma. Quando consegui acordar já eram sete da manhã do outro dia. Muito tempo, né? Estranho! Levantei, fui direito para o primeiro andar, procurei minha mãe e não achei. Fui até o quintal e nada dela. Voltei para dentro, por um momento pensei que ela poderia ter saído para comprar algumas coisas. Esperei alguns longos minutos e nada dela voltar. Subi para o segundo andar procurei no banheiro, fui até o quarto nojento, mas a porta estava tranca, então conclui que ela não estava lá. Só faltava o quarto dela. A porta estava entreaberta, empurrei devagar e entrei. Percebi que no chão haviam alguns pingos vermelhos. Chamei ela pelo nome e não tive nenhuma resposta. Me dirige para olhar ao lado direito da cama dela. E ao reparar no chão, entrei em pânico, ela estava deitada com marcas de facada por todo corpo e uma faca cravada na testa, igual ao meu pesadelo. Minha cabeça começou a doer, fiquei sem o que pensar e só consegui chorar e gritar.

— Mãeeeeeeeeeeeeeee! – Gritei desesperado. 
Share:

Postar um comentário

Copyright © Valivia Tales. Designed by OddThemes